Dicas,  Saúde

Ronco. Conheça os perigos e tratamentos

Um suspiro mais alto, uma respiração mais profunda e, do nada, um barulho mais forte. Ouvir seu par ou filho roncar pode revelar uma série de problemas – que quanto mais cedo diagnosticados, mais eficientes resultam os tratamentos. Nesse processo, a investigação sobre o motivo pelo qual a pessoa está roncando é peça-chave. Afinal, a obstrução das vias aéreas é o que provoca o problema, mas ela pode ser causada por diversos motivos.

Uma origem em potencial são as doenças respiratórias – como asma, sinusite, rinite alérgica e infecções crônicas nos seios nasais –, que podem influenciar na formação de pólipos nasais. Ou seja, na origem de pequenas bolsas de tecido inflamado que crescem nas mucosas nasais e nos seios paranasais. Normalmente despercebidos por quem os possuem, os pólipos nasais podem favorecer a obstrução das vias áreas e, consequentemente, contribuir para o surgimento do ronco. Nesses casos, combater as doenças respiratórias é também combater o ronco.

Outra possibilidade são as infeções nas amígdalas. Quando inflamadas, elas incham e atrapalham a passagem de ar e de secreções que normalmente teriam que fluir pelos seios da face. Elas ficam presas e, em geral, provocam a sinusite. Sem contar que o líquido que escorre das amígdalas infectadas pode descer pela laringe e traqueia, parar nos pulmões e favorecer uma possível pneumonia. Além de tratamentos terapêuticos, uma opção para quem tem amígdalas grandes é a sua extração cirurgicamente – um procedimento simples.

Também responsáveis por contribuir para o surgimento do ronco, as adenoides têm a função de auxiliar o organismo a se defender de micro-organismos que invadem as cavidades nasal e oral. Por outro lado, em pessoas com infecções respiratórias constantes, elas crescem e se tornam hipertrofiadas – o que resulta no cenário perfeito para o ronco. Assim com as amígdalas, as adenoides também podem ser retiradas cirurgicamente.

O cansaço e a obesidade são outras causas possíveis, já que as musculaturas da garganta e da boca ficam mais frouxas e acabam dificultando a respiração. No caso do excesso de peso, a gordura acumulada ao redor do pescoço também atrapalha. Logo, quando a pessoa relaxa a língua dormindo, essa gordura extra faz aumentar a vibração na hora de respirar e o ronco vem. 

Se a origem é a flacidez do céu da boca, uma alternativa de tratamento são as técnicas de enrijecimento ou o uso de um aparelho de radiofrequência no local. Enquanto que indivíduos com circunferência de pescoço acima de 40 centímetros, mulheres com circunferência abdominal acima de 88 centímetros e homens acima de 102 centímetros têm como indicação inicial a perda de peso.

No entanto, há algo que requer muita atenção. Afinal, o ronco pode ser sinal de algo mais grave – como a apneia obstrutiva do sono, distúrbio definido pela pausa na respiração. Em adultos, essa interrupção é maior do que 10 segundos e costuma repetir cinco vezes em 60 minutos. A apneia ocorre quando os músculos na parte de trás da garganta não conseguem manter abertas as vias aéreas, apesar dos esforços para respirar. Pouco comum, há também a apneia central do sono, em que o cérebro não consegue controlar adequadamente a respiração durante o descanso.      

Esses eventos obstrutivos acabam resultando em quedas mensuráveis na saturação de oxigênio no sangue, que retorna aos níveis basais quando a respiração da pessoa é retomada. Ou seja, a redução de oxigênio ativa o sistema nervoso, que eleva os batimentos cardíacos e estimula a contração dos vasos sanguíneos. O quadro favorece o acúmulo de gordura abdominal e a resistência à insulina – hormônio que permite que a glicose entre nas células e gere energia –, condições que contribuem para originar o diabete tipo 2.  

Episódios de apneia obstrutiva do sono normalmente terminam com o “roncador” acordando brevemente para reabrir sua via aérea. Aliás, pessoas que possuem o distúrbio roncam alto entre os episódios e podem engasgar e/ou sufocar. Como resultado da obstrução das vias aéreas e das múltiplas acordadas durante a noite, elas têm fragmentação do sono e muitas vezes experimentam sonolência excessiva durante o dia, bem como dificuldade de concentração e dor de cabeça matinal. 

A confirmação e a análise da gravidade da apneia são realizadas por meio de um exame de polissonografia, que é realizado num laboratório do sono de uma clínica especializada ou hospital. Ele consiste em acompanhar durante a noite um paciente, ligado a um aparelho que registra os batimentos cardíacos, o movimento dos olhos, a respiração, o nível de oxigênio no sangue e a atividade cerebral.

Também é possível monitorar através de um dispositivo portátil, do tamanho de um relógio, que permanece preso ao pulso e em dois dedos da mão. Quando colocado no momento de dormir, ele avalia as condições de sono. Posteriormente, esse aparelho é entregue ao médico, que analisa os resultados e determina as medidas de controle.

Apneias mais leves, normalmente instigadas pelo hábito de respirar pela boca, podem ser tratadas com dilatadores de narinas. Para aqueles com a mandíbula curta, a opção são os aparelhos ortodônticos construídos sob medida, que projetam a ossatura (o queixo para frente) ou abaixam a língua – o que facilita a passagem de ar. Se a pessoa estiver obesa, o ideal é a perda de peso em paralelo a exercícios de fonoaudiologia para tonificar os músculos da garganta.

Apontado como o padrão ouro no tratamento da apneia do sono, o CPAP (em português, Pressão Positiva Contínua das Vias Aéreas) nada mais é do que uma máscara que tampa o nariz e a boca, emitindo ar para as vias respiratórias. Esse mecanismo de uso contínuo é uma das maneiras mais eficazes para resolver os casos mais graves de pausas na respiração durante o sono.

Apesar de tudo, em alguns casos, roncar pode ser apenas uma condição normal do organismo. Aquela sinfonia noturna nem um pouco harmônica, que incomoda o companheiro de colchão, pode ser estimulada quando se deita de barriga para cima. Isto, pois nessa posição há um relaxamento do dorso da língua e da musculatura. Logo, ocorre uma vibração nessa região – na laringe e úvula – que é responsável por ocasionar o barulho. No mais, evite bebidas alcoólicas, cigarro, calmantes, relaxantes musculares e refeições duas horas antes de dormir. O seu sono – e o do seu par – agradece!  

Fontes

Associação Brasileira do Sono (Absono) – https://www.absono.com.br

Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) – http://www.abmsono.org

Associação Brasileira de Odontologia do Sono (Abros) – https://www.absono.com.br/abros/

Sleep Science | Journal of ABS and FLASS – http://sleepscience.org.br/

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